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O BARREDO (SEGUNDO PINHO LEAL)

por Nuno Cruz, em 27.11.17

Dou agora continuidade ao traslado das publicações colocadas na casa antiga d' A Porta Nobre no blogspot. Desta feita um pequeno apontamento sobre o Barredo da responsabilidade de Pinho Leal, autor do célebre Portugal Antigo e Moderno...

Segundo aquele autor, nos anos 70 do século XIX aquele bairro era o mais imundo do Porto. Estava todo iluminado a gás e era bastante povoado ainda que quase exclusivamente por Vareiras, Regateiras, Vendilhões e Carrejões.

 

Escreve ainda Pinho Leal:

«Não há muito que o autor destas linhas, com sol claro, e por mera curiosidade, atravessou este bairro, só para poder falar dele; e creiam os leitores que nunca vi no Porto, nem na capital, uma série de ruas, vielas, escadas e barracões, que se assemelhassem àquilo. Tudo transudando água e imundice, obrigando-me o fétido a acelerar o passo, e arrepiando-se-me o cabelo o imaginar-me metido em semelhante labirinto, em uma noite de inverno, mesmo no actual século, antes de montar-se a iluminação pública.
É este bairro um montão de lixo e um sorvedouro de vidas, quando pesa a mais leve epidemia sobre a cidade, e por todas estas considerações façamos votos por que a câmara abra sem demora as ruas em projecto.»

Pinho Leal in Portugal Antigo e Moderno (1875), Vol. VI, verbete S. Nicolau.

 

barrcos.jpg

A Lada, uma das entradas para o Barrredo profundo. 

 

Mas isso não aconteceu. Embora ainda em 1874 se fale na elaboração da planta para a rua que ligaria a rua Nova de S. João à ponte D. Maria II, aparentemente nem o projeto terá saído de... projeto! Dai resultou que por mais de um século ficou sendo o Barredo - juntamente com o bairro da Sé - os locais de pior fama no Porto: estes mesmos agora classificados (e bem) de Património da Humanidade.

O contrário aconteceu precisamente no outro extremo desta freguesia, no bairro dos Banhos, onde toda a podridão das casas, das tabernas - e quem sabe das almas - desapareceu. Tudo levado por um furacão de demolições e aterros que em pouco mais de um um ano destruiu o que séculos de vida da cidade ajudara a criar. Pergunto-me o que poderia dar ele à cidade de hoje, quando vivemos tempos da hegemonia do turismo?

 

______

Nota: Publicado originalmente no blogspot em 30 de novembro de 2009, agora revisto e ligeiramente ampliado.

Bibliografia: volume 7 do Portugal antigo e moderno de Augusto Soares A. B. de Pinho Leal, publicado em 1875.

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