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A Porta Ŋobre

« Se a nobre cidade do Porto é o tronco do ilustre nome de Portugal ... que português haverá que tenha zelo da honra deste nome, que o não tenha também da honra desta cidade. » (Gaspar Estaço)

A Porta Ŋobre

« Se a nobre cidade do Porto é o tronco do ilustre nome de Portugal ... que português haverá que tenha zelo da honra deste nome, que o não tenha também da honra desta cidade. » (Gaspar Estaço)

«FINDA A ESTAÇÃO DOS BANHOS»

Na casa original onde A Porta Nobre se encontrava alojada criei como que um sub-blog exclusivamente para colocar postagens mais ligeiras de aspetos engraçados, curiosos ou mesmo mais sombrios e tristes, sobre a vida da cidade no século XIX a que chamei O Porto de oitocentos. Hoje inicío a sua transferência para aqui, criando uma etiqueta específica para elas.

 

O que se vai ler abaixo é de facto uma simples notícia da morte de um cavalo que obrigou os ocupantes de uma carruagem a regressar a pé dos banhos na Foz... Mas pelo simples razão de ter sido escrito muito provavelmente pela pena de Camilo Castelo Branco - principal colaborador do periódico - torna-a uma pequenina peça de arte... 

porto8centos.jpg

«O bom e o mau é sempre anunciado por um sinal precursor. O cair da folha anuncia o inverno, o franzido do ângulo externo do olho anuncia a velhice; a fecundidade atazanadora de um pimpolho literato anuncia um escrevinhador cáustico. Há ainda muitos outros prognósticos de tremendas fatalidades; mas o prenúncio de se ultimar a estação de banhos na Foz é um sinal, que o leitor está bem longe de imaginar. Pois é muito simples e infalível como poucas previsões do Lunário Perpétuo. Quando os cavalos da corrida começam a cair e morrer debaixo da lança dos caleches, recolhem as famílias. Antes de ontem um alazão vergou resignadamente a espinha lombar sob o peso dos anos, morreu como um passarinho, e deixou os passageiros na meditação fúnebre de fazerem pedestramente meio caminho. Com a morte do cavalo, que ía, coincidiu a vinda de muitos carros de enxergões, que vinham, precedidos dos carroções, condutores das tribos proprietárias deles. Um cálculo aproximado dos banhos, tomados este ano de S. João da Foz, 45.000. Neptuno teve entre seus braços as mais lindas criaturas do Porto e algumas não menos lindas das províncias. Também teve nos braços muitas criaturas feias; mas, cavalheiro e cortês com todas, não negou a alguma o beijo salutar. No próximo inverno haverá muita saúde nos nervos, e por ventura, não serão só os nervos os fortalecidos com o nitro do mar. Esta água tem a virtude de acender os corações. L'onde irrite la flamme - diz Corneille.»

in "O Clammor Publico" de 18 de outubro de 1856.

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