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A Porta Ŋobre

« Se a nobre cidade do Porto é o tronco do ilustre nome de Portugal ... que português haverá que tenha zelo da honra deste nome, que o não tenha também da honra desta cidade. » (Gaspar Estaço)

A Porta Ŋobre

« Se a nobre cidade do Porto é o tronco do ilustre nome de Portugal ... que português haverá que tenha zelo da honra deste nome, que o não tenha também da honra desta cidade. » (Gaspar Estaço)

UM TROÇO IGNORADO DA MURALHA PRÉ-ROMÂNICA

DSC02438.jpg

Em Dezembro de 2016 referi na publicação do blogspot intitulada  "Prenditus est Portugale ab Vimarani Petri" que num arruamento desativado desde o século XVIII - a viela de São Lourenço - que circundava pelo exterior a muralha antiga da cidade a oeste e que terminava junto da porta de Santa Ana, havia sido recolocado à vista um pequeno troço de muralha de aparelho construtivo aparentemente pré-românico.

A se confirmar, como parece ser o caso, estas pedras são as mais antigas que se encontram expostas. Ainda mais antigas do que o mais conhecido cubelo que temos nas costas da rua de D. Hugo (embora englobadas na mesma cerca defensiva) e seguramente mais antigas do que a torre do Barredo (casa que é reputada como a mais antiga ainda existente na cidade).

Ilustrando esta pequena descrição coloquei a imagem que se vê à direita, tirada umas semanas antes. Esse caminho é a antiga viela de S. Lourenço que deixou de ter saída, como referi, ainda no século XVIII. O seu aspecto degradado advém da utilização que os proprietários das casas da rua dos Mercadores (à esquerda na foto) fizeram desse espaço, aproveitando-o como extensão das suas propriedades.

Na altura esta imagem foi captada através da porta que impedia a passagem para aquela área. Contudo, meses volvidos e por intermédio do portal PORTO., obtive a excelente notícia que o espaço havia sido recuperado!

Com efeito, foi em finais de maio deste ano que aquele espaço foi devolvido à cidade devidamente reabilitado. Agora, turistas ou simples portuenses com curiosidade pelas antiqualhas da sua cidade dispõem de um bom acesso através do miradouro junto à igreja de S. Lourenço, deixando assim de existir o que se efetuava por baixo de um edifício da rua de Santana, que estava aberto  apenas a determinadas horas do dia para acesso dos moradores aos lavadouros que ali existem.

As imagens ilustrativas desta nova realidade que tirei logo em junho falam por si (ver abaixo). Mas não há nada melhor, caro leitor, do que deslocar-se ali pessoalmente e depois de contemplar a vista magnífica, deitar o olhar para aquelas humildes pedras que se falassem nos contariam histórias de mouros, normandos e presúrias cristãs...

010.jpg

Embora as casas da rua de Santana neste local em boa parte assentem na antiga muralha pré-românica/românica, apenas aquele pequeno troço na imagem mais à direita parece apresentar o seu aparelho original intocado. Não obstante no restante troço surgirem vários silhares de aspeto idêntico que terão sido reaproveitados após o desmonte da estrutura original. Foi pelo menos o que me sugeriu a observação no local (aguardo com expectativa os comentários dos meus leitores cujo mester seja a arqueologia).

Este troço passa despercebido, é verdade; mas se a Câmara Municipal do Porto ali colocar um marco explicativo conforme se vê junto a muitos outros monumentos, em breve isso deixará de acontecer. Pelo contrário, será valorizado e assumido como uma mais valia para a cidade acrescentando-lhe valor patrimonial.

 

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Nota: A fonte e inspiração para esta publicação veio de uma fotografia patente na obra A imagem tem que saltar... do Dr. José Ferrão Afonso (ver bibliografia).

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