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A imagem abaixo apresentada - i1 - é uma fotografia que capta a rua dos Ingleses (hoje rua do Infante D. Henrique), nos meados do século XIX. Por ela se vê que a rua se encontrava completamente ocupada por edifícios, alguns ao bonito estilo setecentista e dos quais poucos ainda lá se encontram. Há contudo uma grande diferença entre esta imagem e a realidade atual: o correr de casas à esquerda da foto foram demolidos em 1883 para dar lugar ao jardim do Infante.

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i1

 

A se i1 nos mostra aquela rua antes de 1882, a i2 é uma sua equivalente dos anos 30 ou 40 do século XX, onde é-nos já apresentada no seu aspeto atual. A diferença é capital e mudou por completo a sua ambiência, quando o jardim foi aberto no local onde desde o século XV continuamente tinham existido casas (naquele século e em parte do seguinte, foi a rua da cidade onde os seus melhores cidadãos viviam).

Screenshot_1.jpg

i2

 

A i3, abaixo, apresenta-nos um pormenor da i1, onde melhor se vê o correr de casa que já não existem, bem como a entrada antiga (quase escondida por completo) da rua das Congostas. Ali, embora não visível porque semi-tapado por uma uma árvore, está um Passo idêntico aos que ainda subsistem no cunhal de S. Francisco e no topo da rua Escura.

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i3

 

A i4 é um outro aspeto do mesmo local da i3. A foto foi tirada menos de uma década depois da anterior, mas com o fotógrafo a rodar uns 100.º para a esquerda. O Palácio da Bolsa lá está (no seu aspeto geral, foi concluído menos de duas décadas antes das primeiras fotografias do Porto que conheço), mas o jardim ainda não existe. O que ali se encontra é apenas o chão terraplanado, que fora outrora ocupado pelas casas que vemos na i2.

Screenshot_2.jpg

i4

 

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i5

 

A i5 é o pormenor do outro lado da rua, que ainda apresenta um aspeto reconhecivel. Ali estão eles, os trens de praça, com os boleeiros a postos, prontos a receber quem deles precisasse. Por esta altura este tipo de transporte era tabelado e com locais próprios, tal como os taxis da atualidade. A imagem deixa ainda ver, lá ao fundo, na rua dos Mercadores, a erguerem-se altaneiros, os edifícios demolidos em meados do século XX para se abrir o túnel da Ribeira.

 

Alvo de uma pintura do Barão de Forrester, bastante conhecida, que nos mostra a "Bolsa a céu aberto", quando o edifício do Palácio da Bolsa ainda não se encontrava totalmente disponível (i6). Por mim, que tenho o hábito de vasculhar jornais antigos, já me dei com uma ou outra notícia de crianças mendigas que à noite, nessa mesma época, dormiam nos portais destas casas opulentas. O que era uma azáfama de negócios durante o dia, era um triste, frio e enorme colchão de pedra para alguns seres humanos... Termino com este apontamento agridoce, na tentativa de mais uma vez fazer a ponte entre o charme destas fotos antigas do Porto do Romantismo, com a realidade que elas muitas vezes escondiam.

Screenshot_1.png

i6

 

Desta imagem, sendo umas décadas anterior à fotografia, ainda estão ausentes os carris do americano, contrariamente ao que podemos ver na i1. Também a sede da Associação Comercial do Porto, convenientemente, se localizou por aqui durante alguns anos. Mas esta rua, mandada abrir pelo rei D. João I, tem bem mais histórias para contar. Uma delas, reporta ao tempo em que os nobres não podiam pousar dentro de muros e que deu origem a uma terrível "queimada"... Mas sobre isso falaremos mais à frente...

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