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A Porta Nobre

Contributos para a história do Porto

A inauguração da estátua de D. Pedro V

03
Jan21

Na praça da Batalha encontramos, desde há 154 anos para cá, a estátua do rei D. Pedro V que faleceu bem novo após um curto reinado. Foi um monarca que não se escusava a visitar e cumprimentar os doentes e os pobres em pessoa; e talvez isso lhe tenha custado a vida... Mas também por isso ficou sempre sendo muito estimado pelos seus súbditos.

 

Em 1862, foi colocada a primeira pedra do pedestal onde a estátua se iria apoiar. Mas só em 1866 é que ela foi finalmente ali colocada - às 5 da manhã do dia 26 de Janeiro - onde ainda hoje se encontra, tendo o rei D. Luís vindo inaugurar a mesma. No dia anterior à inauguração a praça da Batalha foi grandemente iluminada, como que um prelúdio para o que se iria passar no dia seguinte. Esta consistia em diferentes estrelas iluminadas a gás e colocadas sobre as pilastras que sustentavam a grade que cercava o pedestal do monumento. Também se iluminaram a Câmara Municipal e muitos edifícios públicos e particulares. Nessa noite foi grande o concurso de povo que girava na rua Santo António e praça da Batalha

 

No dia seguinte, 3 de Fevereiro, ao nascer do sol, as fortalezas içaram a bandeira nacional. O préstito saiu da casa da câmara seguindo pela rua de Santo António até à praça da Batalha. O parágrafo seguinte é transcrito d' O Nacional de 4 de fevereiro de 1866:

 

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«Eram duas horas e tanto da tarde quando sua majestade el-rei o sr. D. Luís I, em carro descoberto, e acompanhado dos srs. visconde da Praia Grande de Macau, marquês de Sousa Holstein, Sérgio de Sousa e Caula, chegou à praça da Batalha. Nesta ocasião a tropa apresentou as armas, e as bandas militares romperam o hino de el-rei. Em seguida seguiu sua majestade para o pavilhão que estava armado no recinto da praça; passados momentos o sr. Luís José Nunes, presidente da comissão do monumento dirigiu-lhe uma alocução. Depois sua majestade encaminhou-se para o pedestal da estátua, o sr. Nunes entregou-lhe um cordão de seda que comunicava com duas bandeiras nacionais que cobriam a estátua, estas descerraram-se a estátua apareceu descoberta aos olhos da multidão; a tropa apresentou armas novamente; as bandas marciais romperam o hino do sr. D. Pedro V; subiu no ar uma girândola de foguetes, e salvaram as fortalezas (...)[1] Recolhido el-rei novamente ao pavilhão, o sr. Luís José Nunes proferiu outra alocução, seguindo-se outra do dr. governador civil, o sr. conselheiro Januário Correia de Almeida. O sr. D. Luís, respondeu com um pequeno mas sentido discurso, em que louvava as virtudes do seu falecido irmão, e em que engrandecia o povo que as soubera apreciar. O sr. governador civil findo este discurso levantou vivas a sua majestade, Carta Constitucional, sr. D. Fernando, família real, e a esta cidade.»

 

Da Batalha el-rei seguiu para a igreja de Santo António da Porta de Carros (vulgo dos Congregados) a ouvir o hino Te Deum Laudamus, composto especialmente para a ocasião por vários artistas envolvidos e executado gratuitamente; com a guarda de honra montada à porta da igreja durante a cerimónia.

 

Finda aqui esta breve descrição da inauguração da estátua. Remato com uma nota sobre a pequena polémica gerada em volta dela, na imprensa da época. Tão simples quanto isto: uns queriam a estátua voltada para nascente, outros, para o largo de Santo Ildefonso, ou seja, para o início da rua de Santa Catarina. Correram rios de tinta nos jornais, sendo esta última vontade a que prevaleceu.

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1- Na da Serra do Pilar a artilharia aí colocada salvou com 21 tiros, tendo o Castelo da Foz respondido aos mesmos com igual número.

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