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A Porta Nobre

Contributos para a história do Porto

A Vila Baixa

04
Mai21

O Porto nasceu em 1120, no morro da Penaventosa! O leitor mais conhecedor da história da cidade perceberá como gratuita e falsa esta frase, mas eu explico: julgo não podermos querer que a Cale romana seja continuada pelo Porto, cidade cujo desenvolvimento irrompe no século XII, para só parar no final do XIX com a definitiva definição de fronteiras concelhias. A camada romana desapareceu lentamente nos séculos posteriores às invasões bárbaras, dando lugar a um pequeno aglomerado que, se visto ao longe por nossos olhos, em muito se assemelharia a uma pequena aldeia...[1]

 

Assim, foi a partir da suposta doação de D.ª Teresa a D. Hugo que a nova localidade decorrente do período condal começa verdadeiramente a crescer. Lentamente primeiro, mas cedo a população vai chegando cada vez em maior número. O comércio marítimo cresce, conforme se vai tornando mais seguro e muito à custa das trocas comerciais com a Europa do norte. E assim, o lugarejo da Penaventosa, pequeno aglomerado ovárico deste Porto enorme, começa a extravasar a sua curta cerca, rompendo o espartilho de segurança!

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pormenor de imagem dos anos 70 do séc. XIX : assinaladas, estão duas casas que ainda tiveram a sorte de ser fotografadas, aparentando bastante antiguidade (mas não do século XIII...) : Compare-se as dimensões das casas oitocentistas com as suas congéneres de época anterior, e tentemos imaginar uma vista do Porto no século XVII ou XVI... tarefa quase impossível!

 

Um dos primeiros locais que ela vem reocupar, é a área hoje conhecida como Ribeira, que nas inquirições de Afonso III (1258) é nomeada de vila baixa, para a distinguir da localidade - ou de parte da mesma localidade(?) - existente uma cinquentena de metros morro acima. Bem sei que parece coisa de publicidade de detergente, mas esta distinção existiu em determinada época, a julgar por aquele documento. Talvez porque o binómio Ribeira/Lada ainda não se encontrasse ligado por uma faixa urbanizada ininterrupta, com a vila episcopal primordial.

 

Mas é este Porto, o ribeirinho, que graças ao trato marítimo irá fazer da nossa cidade um burgo importante, das maiores do país durante o período medieval, ascendendo a segunda cidade do reino de Portugal. E tudo isto se torna, quanto a mim, ainda mais assombroso, quando verificamos que a barra do Douro, letal ainda no século XIX,[2] seria na baixa idade média, certamente de pior passagem, pela maior quantidade de rochedos e baixios escondidos pelas marés, ao que se acrescem as correntes sempre traiçoeiras; mesmo levando em conta a menor dimensão e calado dos navios dos séculos mais recuados.[3]

 

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1 - A desagragação do império romano ocidental representou um retrocesso civilizacional.

2 - Século em que ainda havia navios que aguardavam, por vezes, semanas para poder entrar no Douro!

3 - Veja-se, por exemplo, o capítulo inicial deste trabalho de Amândio Barros e Luís Duarte, para uma súmula sobre a perigosidade da barra do Douro.

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