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A Porta Nobre

CONTRIBUTOS PARA A HISTÓRIA DA CIDADE DO PORTO

Como era a Rua do Infante D. Henrique, até 1882

20.05.16

A imagem abaixo apresentada - i1 - é uma fotografia que capta a Rua dos Ingleses (hoje Rua do Infante D. Henrique), nos meados do século XIX. Por ela se vê que a rua se encontrava completamente ocupada por edifícios, alguns ao bonito estilo setecentista e dos quais poucos ainda lá se encontram. Há contudo uma grande diferença entre esta imagem e a realidade atual: o correr de casas à esquerda da foto foram demolidos em 1883 para dar lugar ao Jardim do Infante.

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i1

Se i1 nos mostra a rua do Infante D. Henrique antes de 1882, a i2, é uma sua equivalente dos anos 30 ou 40 do século XX, onde a rua já apresenta o seu aspeto atual. A diferença é capital e mudou por completo a ambiência da rua, quando o jardim foi aberto no local onde desde o século XV continuamente tinham existido casas (naquele século e em parte do seguinte, foi a rua da cidade onde os seus "melhores" cidadãos viviam).

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i2

A i3, abaixo, apresenta-nos um pormenor da i1, onde melhor se vê o correr de casa que já não existem, bem como a entrada antiga (quase escondida por completo) da rua das Congostas. Ali, embora não visível porque semi-tapado por uma uma árvore, está um Passo idêntico aos que ainda subsistem no cunhal de S. Francisco e no topo da rua Escura.

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i3

A i4 é um outro aspeto do mesmo local da i3. A foto foi tirada menos de uma década depois da anterior, mas com o fotógrafo a rodar uns 100º para a esquerda em relação ao anterior. O Palácio da Bolsa lá está (no seu aspeto geral, foi concluído menos de duas décadas antes das primeiras fotografias do Porto que conheço), mas o jardim ainda não existe. O que ali se encontra é apenas o chão terraplanado, que fora outrora ocupado pelas casas que vemos na i2.

Screenshot_2.jpg

i4

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i5

A i5 é o pormenor do outro lado da rua, que ainda apresenta um aspeto reconhecivel. Ali estão eles, os trens de praça, com os seus cocheiros a postos (bem, uns mais do que outros...) a receber quem deles precisasse. Por esta altura este tipo de transporte era tabelado e com locais próprios, tal como os taxis da atualidade. A imagem deixa ainda ver, lá ao fundo, na rua dos Mercadores, a erguerem-se altaneiros, os edifícios demolidos em meados do século XX para se abrir o túnel da Ribeira.

 

Esta rua foi alvo de uma pintura do Barão de Forrester, bastante conhecida, que nos mostra a "Bolsa a céu aberto", quando o edifício do Palácio da Bolsa ainda não se encontrava totalmente disponível (i6). Por mim, que tenho o hábito de vasculhar jornais antigos, já me dei com uma ou outra notícia de crianças mendigas que à noite, nessa mesma época, dormiam nos portais destas casas opulentas. O que era uma azáfama de negócios durante o dia, era um triste, frio e enorme colchão de pedra para alguns seres humanos... Termino com este apontamento agridoce, na tentativa de mais uma vez fazer a ponte entre o charme destas fotos antigas do Porto do romantismo, com a realidade que elas muitas vezes escondiam.

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i6

Sendo umas décadas anterior à fotografia, ainda não existia o americano, cujos carris se vêm na i1; e certamente da época em que o Palácio da Bolsa se encontrava por concluir, pelo que os negócios eram feitos na rua. Também a sede da Associação Comercial do Porto, convenientemente, se localizou por aqui durante alguns anos.

 

Mas esta rua, mandada abrir pelo rei D. João I, tem bem mais histórias para contar. Uma delas, reporta ao tempo em que os nobres não podiam pousar dentro de muros e que deu origem a uma terrível "queimada"... Mas sobre isso falaremos mais à frente...

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