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A Porta Nobre

CONTRIBUTOS PARA A HISTÓRIA DA CIDADE DO PORTO

da Fábrica do Tabaco

26.08.19

Num jornal dos meados do século XIX pesquisado há alguns anos e do qual infelizmente não registei o nome,[1] encontro o anúncio da arrematação da Fábrica do Tabaco, que deu nome à atual Rua da Fábrica. Neste terreno estão hoje edificados alguns bonitos edifícios e bem assim o famoso Hotel de Paris.

 

Segue a transcrição:

 

 

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Para o dia 19 de Março deste ano

de 1860

ARREMATAÇÃO VOLUNTÁRIA

de

TODO O EDIFÍCIO

da

ANTIGA FÁBRICA DO TABACO

Na casa das arrematações, Rua do Almada, n.º 66, escrivão Lima

 

O todo desta grande propriedade compreende 7 moradas de casas com um grande quintal e água, com frente para a Rua de Santa Teresa, desde o n.º 27 até ao 31, continuando para a rua da Fábrica do Tabaco desde o n.º 1 até 5, - faz volta para a Travessa da Fábrica do Tabaco desde n.º 1 até o fim do muro do quintal; tendo por medição no lado nascente, de norte a sul, 225 palmos - pelo poente, de norte a sul, 277 palmos - pelo norte, de nascente a poente, 177 1/2 palmos - e pelo sul, de nascente a poente, 188 palmos.[2]

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Screenshot_1.jpg

parcial de uma planta de 1824 referente ao declive com que a Câmara pretendia dotar a Rua da Fábrica do Tabaco, atualmente simplesmente denominada Rua da Fábrica. Na extremidade direita encontra-se a Rua do Almada.

 

 

Acreditando que esta arrematação tenha levado à demolição do edificado existente e posterior edificação de muito do que ocupa essa área atualmente, mas não conhecendo de todo a história desta fábrica (apenas que a mesma fora estabelecida no século XVIII), convido a qualquer um dos leitores que por aqui passe a deixar mais pormenores sobre ela; ficando prometida uma revisão desta publicação assim que mais pormenores obtiver sobre o assunto.

 

Deixo contudo um extrato do que Agostinho Rebelo da Costa refere sobre esta fábrica, no seu famoso livro de 1788:

 

«Dirige-se por dois administradores: o primeiro é o Caixa, inspetor do escritório, em que trabalham quatro escriturários, com um Guarda-Livros, e tem cinco mil cruzados de renda: o segundo tem um conto de réis, e é o que assiste na fábrica. No trabalho desta ocupam-se mais de cem pessoas; umas nos fornos, e esfolha; outras nos pilões e engenhos; e o resto na empapelação, repartição, arrecadação, etc. (...) Todos os dias, exceto nos feriados, coze-se a folha do tabaco em quatro fornos, que algumas vezes não bastão. Fazem-se tabacos das seguintes qualidades: Cidade, Somonte verde, Somonte amarelo, Esturro de cor, Esturro preto.

 

(...) A causa de ser geralmente mais reputado o tabaco do Porto, que o de Lisboa, procede, de que no Porto cozem-se fornadas mais pequenas, e a lenha para os fornos não é de pinho, mas de mato, cuja flor, e rama comunica ao tabaco um cheiro suavíssimo.

 

De salários miúdos paga esta fábrica em cada ano doze mil cruzados, e passam de trinta mil, os que são salários de portas a dentro, não falando nas despesas do papel, grude, mato, e outras miudezas, que importam grande cabedal. (...)»

 

 

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1- Com bastante probabilidade terão sido O Comércio do Porto ou O Jornal do Porto.

2 - 1 Palmo = 0,22m

 

 

§ Originalmente colocado no blogspot em 16.01.2015 (agora revisto e ligeiramente aumentado)

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