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A Porta Nobre

CONTRIBUTOS PARA A HISTÓRIA DA CIDADE DO PORTO

O lago no largo dos Loios

11.08.17

Quem diria que já existiu um pequeno lago no Largo dos Loios? Pois foi o que descobri lendo respostas a uma pergunta colocada num volume da 3.ª série da revista O Tripeiro, n.º 7 (127) de 1 de Abril de 1926:

 

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1) «Existiu, na verdade, há muitos anos, mas por pouco tempo, um pequeno lago no meio do Largo dos Lóios. Era circular, quase com o dobro do diâmetro do refúgio que, a circundar a base do poste da iluminação eléctrica, que hoje lá se encontra, e apenas tinha a resguardá-lo, sem qualquer relvado, uma grade igual à que cerca o lago do jardim da Cordoaria. Da parte de cima, o rebordo do lago ficava ao nível do pavimento, mas, do lado oposto, como o largo forma declive, tinha uma altura tão grande e de tão péssimo efeito, que principiaram a chamar-lhe o Alguidar dos Lóios, e certo é que... com a mesma rapidez que foi feito, assim foi desfeito. Suponho que não deixou saudades a ninguém!» (Alberto Augusto Guedes Vaz)

 

2) «O tal lago dos Loios desapareceu sobre as ondas da gargalhada e do ridículo. Foi mandado construir pelo antigo presidente da Câmara Municipal do Porto, Lima Junior, falecido há poucos anos. Era de dimensões tão pequenas, e tão mau efeito produzia naquele local, que o povo o alcunhou logo de nomes feios. E a troça foi tal que fizeram desaparecer em curto prazo. Dizia-se que o bom do Lima Junior, mandando construir ali o pequeno lago o fizera a pedido dum amigo íntimo dele, que no largo tinha um estabelecimento comercial. O nome deste amigo não vem para o caso». (Careca)

 

largoloios.jpg

 O largo dos Loios na atualidade (imagem wikimedia)

 

3) «Aí por 1888 ou princípio de 1889, a Câmara do Porto teve a desastrada lembrança de pretender embelezar o Largo dos Loios com um lago. A ideia foi a mais infeliz possível, porque a sua execução só serviu para provocar as censuras mais acerbas, o riso escarninho dos transeuntes e as vaias e dichotes do rapazio. "Bidet dos Loios" foi o nome porque desde logo foi designada a deplorável obra de arte, que os animais, na sua passagem, utilizavam como bebedouro. Não tardou que o lago aparecesse povoado por grande quantidade de rãs, cujo coaxar era uma uma grasnada insuportável, que não podia tolerar-se no centro de uma cidade, como a nossa, especialmente. Caíu no mais profundo ridículo, mas, ainda assim, teve alguns meses de duração; um dia porém, ao anoitecer, apareceram cercando o lago, grande quantidade de operários, com ferramentas, o que deu a certeza que o seu fim tinha chegado; efetivamente, quando no dia seguinte abriram os estabelecimentos, os operários assentavam as últimas pedras do pavimento; o lago tinha desaparecido». (Tripeiro Adotivo)

 

 

Num outro registo, no número anterior a este surge:

4) «(...) Diziam que era utilizado pelos moradores para demolhar o bacalhau das sextas-feiras. Outros aventavam ser bacia para lavar os pés dos vereadores que perto moravam (...). Não era lago, era um lagozinho, inferior em diâmetro a um dos actuais refúgios da Praça da Liberdade (..)»

in O Tripeiro de Abril de 1926

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Enfim, parece ter sido uma obra de embelezamento(?!) de vida efémera, que realmente não terá deixado saudades a ninguém e onde a câmara gastou por duas vezes dinheiro público: a fazê-lo e a fazê-lo... desaparecer!

 

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Nota: Publicado originalmente em 24/OUT/2009 no blogspot. Aumentado em 14.05.2019