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A Porta Nobre

Contributos para a história do Porto

O vapor 'Veloz'

16
Nov16

Já vira algumas fotos deste pequeno vaporzinho que durante décadas fez parte da paisagem do Douro, contudo ainda não houvera conhecimento de como o mesmo chegara ao Porto e a quem pertencera. Contudo, vasculhando jornais velhos vão-se descobrindo notícias novas... Eis aqui um extrato de um relatório de 1873 da Companhia de Reboques Maritimos e Fluviaes.

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«A comissão eleita por vós em reunião de assembleia geral de 12 de março do corrente ano, para tratar da aquisição de um rebocador para esta companhia, tem a honra de vos apresentar o resultado dos seus trabalhos.

A comissão desejando mandar construir um barco a vapor, de força e tamanho próprio para o serviço de reboques na barra do nosso porto, principiou por solicitar para Inglaterra informações circumstanciadas de custo e cláusulas, que exigem os fabricantes, pela construção do mesmo vapor, nas condições de servir para o fim a que era destinado: reconheceu, porém, pelos esclarecimentos obtidos, que em consequência dos altos preços dos materiais, e dos salários, e da falta de operários, o custo na atualidade, do rebocador novo, como se pretendia, ficava por soma tão elevada, que, além de exceder bastante a quantia votada para ele, viria sobrecarregar a companhia, dum modo que muito a afetaria nos seus interesses.

Em vista disto, a comissão, na impossibilidade de dar cumprimento ao seu honroso encargo, estava a ponto de desistir, e resignar em assembleia geral o mandato, que por esta lhe fora conferido, quando teve conhecimento de que estava para se vender o vapor Scotia, barco construído em Blockwall, no ano de 1864, com a força de 100 cavalos nominais, próprio para rebocador, e pertencente à companhia Coledonian Steam Towing.

 

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O vapor Veloz, ex-Scotia de 1864, aqui numa fotografia de Aurélio da Paz dos Reis do início do século XX

 

A comissão solicitou, por intermédio dos srs. Dickinson Aknoyd & C.ª de Londres, esclarecimentos das dimensões, qualidades, estado e custo deste barco, e mandou, além disso, examina-lo pessoalmente pelo capitão Kavanaugh: e em resultado de tudo, pode saber, que o mencionado vapor convinha perfeitamente a esta companhia, por ser do tamanho e força própria para a nossa barra, e achar-se no melhor estado de conservação, precisando apenas de ser forrado de cobre, e de algumas pequenas obras no mecanismo e no casco.

Entrou, portanto, a comissão, em negociações para a compra, e tendo-se trocado, e assentado, por intermédio dos referidos srs. Dickinson Aknoyd & C.ª, as bases do ajuste, foi realizada a compra do referido barco a vapor por libras 6:000,00, conforme a escritura lavrada em Londres no dia 2 de julho próximo passado: achando-se já surto no rio Douro, com o nome de Veloz o mesmo vapor.

(...)

Cremos que a companhia ficou completamente bem servida com a aquisição do vapor Veloz, não só por que o seu custo foi o mais razoável possível, como porque a sua construção e mecanismo são excelentes, e o tamanho e força perfeitamente adequados para a nossa barra: ficando assim a companhia convenientemente habilitada a satisfazer bem ao serviço dos reboques.

(...)

Porto, 14 de Novembro de 1873»

extraído de O Jornal do Porto, de 15 de novembro de 1873