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A Porta Nobre

Contributos para a história do Porto

Pormenores fotográficos, junto ao mosteiro de S. Bento das freiras

25
Abr17

No ano de 1948, a revista O Tripeiro exibiu na sua capa de agosto a imagem que abaixo coloco, certamente conhecida de muitos dos meus leitores. É uma bonita fotografia do mosteiro de S. Bento de Ave-Maria - complexo monacal substituído pela estação de S. Bento no início do século XX - mostrando o lado voltado à Rua do Loureiro. Aqui ficava a entrada da igreja, à qual, como em todos os conventos e mosteiros femininos, se acedia por uma porta lateral, dada a inexistência de fachada.

 

Como referi, não duvido que a imagem seja conhecida por muitos, se não todos, os meus leitores. Mas as fotografias dos monumentos antigos muitas vezes escondem história... e se não tivermos a sorte de alguém o registar ou divulgar, a informação perde-se irrecuperavelmente, por se crer de nenhuma importância.

 

sbentoavemaria.jpg

 


Após apreciar a imagem, caro leitor, atente então ao pormenor dela que extraí (abaixo), seguido do comentário à mesma, que um certo A.E.C. fez na secção Ainda se lembra da revista O Tripeiro, de junho de 1949:

 

sbentoavemariaP.jpg

Para além do pormenor referido pelo autor das linhas que reproduzo (1), é também possível ver na imagem, o que parece ser um engraxador abrigado do sol ardente esperando cliente (2); e na fonte, embora o tempo de exposição da chapa fosse tão longo que apenas nos permita ver "fantasmas" de pessoas em movimento, se depreende que ali estariam mais pessoas do que aparenta; levando também em conta os canecos dos aguadeiros (3).

 

«Vi, acompanhando o seu número de Maio[1], a bonita gravura do mosteiro das freiras[2] beneditinas, um dos mais interessantes e típicos monumentos da arquitectura monástica portuguesa, que não pôde resistir ao camartelo modernizador. Atrairam a minha atenção nessa estampa dois pormenores, que provàvelmente a maioria da população actual da cidade não terá conseguido interpretar. À direita, no alto dos dois lanços da escadaria do adro da igreja, divisam-se duas coisas que fazem lembrar enormes piornas, ou então jarras bojudas.
...
Muitos julgarão serem ornamentos fazendo parte do conjunto arquitectónico do edifício, mas não era assim. Eram torcedores constituidos por um jogo de rodas diferenciais, movidas à mão por uma manivela, com que os serigueiros cochavam os cordões das suas passamanarias. Esse trabalho fazia-se muito frequentemente, esticando os cordões ao longo (sentido Este-Oeste) do adro ou grande pátio lageado da igreja do convento, o qual marginava a rua do Loureiro, torcendo-os depois - serviço assás barulhento - com os discos que o quadro mostra.»[3]

 

Como vê o caro leitor, se as imagens falassem quantos pequenos fragmentos históricos teriam para nos contar?...

________

1 - Aqui há lapso, porquanto a fotografia em questão surge na capa de Agosto de 1948. Em maio de 1949, a imagem que consta é uma pintura da Lada, e dentro nada vem do mosteiro de S. Bento.

2 - Aqui há lapso de quem escreve, porquanto as beneditinas não são freiras, mas sim, monjas.

3 - Ortografia original.

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