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A Porta Nobre

CONTRIBUTOS PARA A HISTÓRIA DA CIDADE DO PORTO

Um naufrágio no rio da Vila

por Nuno V. Cruz, em 01.01.19

O que abaixo se vai ler, mero episódio da vida de um anónimo, teve lugar no troço do rio da Vila que se encontra atualmente a ser musealizado e que possivelmente em 2019 abrirá ao público (sendo que na época a que reporta este pequeno acontecimento o 'rio' ainda não estava entubado). Como se trata de um registo puramente pessoal, poderão os meus caros leitores não pensar grande coisa dele. Contudo dado a realidade já extinta de que trata, creio que é interessante recupera-lo das páginas da centenária revista em que foi arquivada para as 'páginas' deste blogue.

 

*

«(...)

 

Fui vegetando por esta boa terra, até que, um dia, me domiciliaram numa casa da rua das Flores, que tinha quintal com porta para o Rio da Vila.

 

Chegou o mês de janeiro (fazia um frio dos demónios) e em todos os teatros havia bailes de máscaras animadíssimos, elogiados por toda a gente, onde, ao que eu ouvia dizer, se me afigurava que seria tal o encantamento, a voluptuosidade, que a tudo quanto era belo suplantaria! Não mais deixou de me assediar a ideia de me transportar àquele lugar delicioso. O baile de máscaras! O baile de máscaras!! Na minha imaginação, só ali se conglobavam todas as delícias!

 

De mais a mais, eu tinha visto, lá em casa uma coleção de fatos para máscaras, e, entre eles, uma farpela de zuavo... que estava mesmo a calhar cá para o rapaz!

 

A minha preocupação em achar o meio de realizar aquele ardente desejo, era inabalável.

 

Tinha já uns amigalhotes, tão bons como eu, e com três deles permutei impressões a respeito dos bailes. Como era de presumir, concordamos logo todos em que estudasse cada um o modo mais fácil de, num determinado sábado, irmos juntos gozar do tripudio carnavalesco.

 

Eu projetei, então, a minha saída pelo Rio da Vila, porque em vista da regra do recolhimento, não podia ser de outra maneira. Os meus sócios planearam a saída pela porta da rua, e numa última conferência que tivemos, combinamos que a reunião fosse na rua da Ponte Nova, onde eles iriam esperar que eu aparecesse, visto que a minha saída era a mais receada.

 

Chegou o almejado sábado, e eu só pensava na hora de poder ir para a minha alcova, e que toda a gente se deitasse, para eu por em prática o meu projeto.

 

Enfim, às nove horas da noite, já eu estava no meu quarto, já tinha apanhado o fato e só esperava a oportunidade de me por ao fresco.

 

Pouco depois, revia-me eu, cheio de bazófia, vestido de zuavo, com um enorme bigode, parecendo-me até que tudo em volta de mim era argelino.

 

Quando vi que era ocasião, desci ao quintal, e, num passo cadenciado, como cá imaginei que devia caminhar um destemido zuavo, segui, ovante, até à porta do Rio da Vila. Coragem de soldado...macanjo!

 

Ali apareceu logo um empecilho: foi o estafermo da porta que não abria nem pelo diabo; mas à força de empurrões com toda a gana, lá consegui uma greta, por onde, de esguelha, me escoei.

 

Eu já disse que esta cena se passava no mês de janeiro; portanto, o rio, naquela ocasião, corria caudaloso, pelos seus afluentes, de diversas espécies de líquidos, mais ou menos densos, com os seus sólidos à mistura.

 

Não obstante o volume líquido, estava eu muito persuadido de que o leito do rio seria facílimo de transpor, e, por isso, foi com toda a afoiteza - afoiteza de zuavo, e zuavo uniformizado! - que avancei uns passos em frente da porta de saída; mas, mal diria eu que bem triste, cruel e vergonhosamente seria logo reprimida a minha audácia.

 

Naquele fundo havia um acumulamento de limo, talvez coevo dos godos, e à superfície daquelas cachopos, estava aderente uma camada escorregadia sobre que se não podia firmar um pé.

 

Ao segundo ou terceiro passo que tentei dar dentro de água, sem que me fosse possível evita-lo, fui, de repente, precipitado naquele amálgama tenebroso, onde, ao querer encontrar um apoio que me sustivesse, só dava com substâncias massudas e viscosas, que ora se me escapavam, ora se me desfaziam nas mãos! Um horror!

 

naufragio.jpg

Nesta imagem do googlemaps assinalei a amarelo o trajeto (aproximado) do rio da Vila que o Sr. L. C. percorreu na sua agonia lodosa. Por curiosidade, na letra B e traço rosa represento uma viela que ia da rua da Ponte Nova ao rio da Vila, onde terminava abruptamente (ainda é visível do ar mas foi absorvida há muito pelos edifícios que repartia). Pela letra A e traçado azul a localização aproximada da extinta viela do Cadavai, cujo portal que lhe dava acesso ainda existe na rua Afonso Martins Alho.

 

 

À maneira que, em porfiada luta, eu esbracejava, para que a corrente me não arrastasse, mais repetidas vezes mergulhava e me sentia envolto em fragmentos de matérias consistentes, esquisitamente moldadas, que se remexiam comigo, em todos os sentidos, sem que, por modo nenhum, eu pudesse resistir à impetuosidade daquela enxurrada!

 

Que tremendo desastre!

 

Aquilo é que foi ver-me entre as dez e as onze, porque, precisamente a essa hora é que eu sofria esse suplício!

 

Ora calculem, se podem, a minha crítica situação: retrogradar não era possível, porque já estava muito afastado do ponto de partida, e mesmo a força da corrente não deixava; gritar por socorro, isso nem pensa-lo, porque era, a meu ver, a maior desgraça!...

 

Enfim, fui-me esforçando quanto pude, fui galgando aqueles cachopos, fui evitando, o mais possível, a passagem pelas guelas... daquilo, líquido ou sólido (e sempre passou qualquer coisa) e assim me aguentei - que remédio! - até ver... eu sabia lá o quê!

 

Mas, oh fatalidade! O caso, de repente, tornou-se ainda muito mais tétrico! Sucedeu que, no meu barafustar, me fui aproximando tanto de um açude, que eu não sabia existir ali, que repentinamente, faltando-me os pés, faltando-me as mãos, e não sei se mais alguma coisa, senti-me ir, de escantilhão, por um declive, que parecia arremessar comigo prás profundas do inferno!

 

Então, sim! Então houve um minuto em que me vi seriamente atrapalhado!...

 

Quando parou aquele diabólico movimento rolante do meu corpo, achava-me lá em baixo, nos Aloques da Biquinha!...

 

Não sei nada do que se passou, durante aqueles momentos em que rebolei; sei só que, quando cheguei aos Aloques, o vistoso gorro, e o façanhudo bigode, que me completavam o garboso donaire de zuavo, tinham ido pela água abaixo - naufragaram!

 

Ali, porém, já me considerava liberto de perigo, em sítio propício a uma imediata retirada; portanto, procurei ver algum ponto por onde pudesse sair daquele atascadeiro, e - oh! maravilha! - eis que lobriguei, sobre as alpondras da margem direita, os três meus associados, atónitos e em atitude protetiva.

 

Que alegrão! Que suprema ventura para este pobre naufrago!

 

Rapidamente se me improvisaram socorros, e pouco depois, saltava eu para junto dos meus colegas, carecente de lhes ouvir palavras de conforto, pelas torturas que eu tinha passado, e de que lhes ia fazer exata narrativa.

 

Aqueles manganões, porém, vendo o estado lastimoso em que eu me apresentava, de braços pendidos, tudo pendido, tudo encharcado, tudo a tresandar, - largaram a rir, a rir, sem me dirigirem uma única frase consoladora, e sem, ao menos, quererem chegar-se a mim!... Que bárbaros!

(...)

Por fim, lá se fartaram de rir à custa da minha desgraça, e eu pude relatar-lhe todas as fases da crise aflitiva por que passei.

 

Comoveram-se, e, então, resolvemos empregar todos os esforços para eu regressar a casa. Assim, depois de apreciados diferentes alvitres, assentou-se em que fossemos pelo túnel do lado da rua do Souto, observar se seria possível passar pelo fundo dos quintais das casas da viela do Anjo, na margem esquerda do Rio da Vila, até ao ponto fronteiro à porta da casa onde eu tinha de regressar, a ver se lá poderia atravessar o rio.

 

Subimos, pois, umas escadas que iam ter à rua da Ponte Nova, seguimos pela viela do Anjo, voltamos à rua do Souto e lá entramos no túnel.

 

Eu, cada vez mais tiritante, com a farpela empastada e grudada á pele, lá seguia os outros, cabisbaixo e acabrunhadíssimo!

 

O baile, esse já nem passava pela ideia: má hora em que eu tive tão infortunada lembrança!

 

Chegamos aos quintais da viela do Anjo, e, por uma felicidade enorme, podemos atravessa-los, pela beirinha do rio, até defronte da porta, por onde eu tinha saído como um altivo zuavo, e pretendia depois entrar como... um indecente pingão.

 

Uma vez ali, não havia tempo a perder: era preciso completar a obra.

 

Efetivamente, depois de tomadas umas ligeiras precauções, e de eu recuperar ânimo, até onde pode ser, fiz uma atrapalhada investida...

 

Recuei, tomei fôlego... tornei a investir, formei um salto, tornei a recuar... - mas por fim, empertigado, todo arrogante - zás! - dei um pulo, com todo o meu arreganho e... fui cair, de cócoras, próximo da porta.

 

Ali, engatinhei um bocado, enfureci-me, esperneei com todo o meu vigor e intrapidez de que podia dispor em tão difícil conjetura, e... finalmente estava salvo!

 

Alcancei a soleira da porta, voltei-me, de lá, para os companheiros, enviei-lhes um punhado de saudações, e fui encerrar-me no dormitório de onde não devia ter saído.

 

Deixo, agora, cá só para mim, o que se passou a respeito da farpela de zuavo, que foi preciso desaparecer, como sucedeu ao gorro e ao bigode.

 

Ora, creio ficar bem demonstrado, que foi retumbante aquele meu batismo na rapioca; mas saiba-se também que, por falta de vocação, não correspondi às atrações. É verdade que, depois de saber da facilidade com que podia sair do túnel, por lá passei muitas vezes, mas... com certo recato, quando o rio levava pouca água e... sem vestuário de máscara.

(...)

C.L.»

*

de O tripeiro (ano 3, p. 50-51)

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Publicado originalmente no blogspot em 29.01.2017

O bueiro da Natividade

por Nuno V. Cruz, em 31.10.18
Recordam-se os leitores de ler em crónicas do insigne historiador da cidade Germano Silva (creio que a notícia original surge na 2ª série de O Tripeiro) sobre uma remodelação dos aquedutos das águas ocorrido na Praça da Liberdade aí pelos anos vinte do século passado? E recordam-se também de ler que o povo dizia serem aqueles túneis para os frades se encontrarem com as freiras? Bom, disparates à parte que a imaginação popular por vezes cria na sua santa ignorância, verdade é que os subterrâneos existiram mesmo mas não seguramente com a intenção imaginativa que a eles se queria atribuir.
 
Em baixo podemos ler uma notícia de um periódico dos anos 30 do século XIX, onde esses túneis se viram envolvidos numa banal tentativa de roubo, mas de onde podemos extrair alguma informação preciosa sobre eles; sempre levando em conta que esta história é cerca de 100 anos mais antiga do que a remodelação que acima referi.
 
 
 
*
«Todo Porto sabe que há um aqueduto geral chamado Rio da Vila, que vai desaguar ao Douro, e corre a descoberto desde a viela do Largo do Souto, até à Biquinha, pelas traseiras da Rua das Flores. Este aqueduto recebe em si as vertentes do regato de Liceiras, e os enxurros das ruas, que entram por bueiros abertos em várias partes, como no fim da rua de Santo António, largo da praça de D. Pedro, no sítio onde foi a Natividade, no lado dos Congregados, Caldeireiros, etc.
 
Estes bueiros tinham todos na sua permitiva (sic); isto é, anos há, travessões de ferro, que apenas deixavam passar as águas; e é tanto verdade, que às vezes, a terra e as areias arrastadas na corrente, os tapavam, e faziam inundações nas vizinhanças a ponto de ser necessário grande esforço e tempo para os desentulhar e deixar passar grande quantidade de povo, que era obrigado a interromper o seu trânsito em ocasiões de grandes bátegas de chuva. Alguns destes varões de ferro hão desaparecido de vez em quando, e ninguém tem prestado atenção a esta falta.
 
 

imaj.jpg

i1 1- localização da antiga Fonte da Natividade / 2- traseiras do edifício 'das Cardosas', onde se constata que originalmente eram edifícios distintos apesar da fachada regular em comum / 3- local onde os diversos regatos se juntam formando o Rio da Vila. Notar que nos anos 30 do século XIX este edifício ainda não estaria concluído e nas suas traseiras o convento dos Loios ainda existia, sendo usado como quartel.
 
 
Ainda mais: o bueiro do sítio onde foi a Natividade, não só deixou de ter os ferros há muito tempo, mas está de tal maneira esburacado, que parece mais uma entrada de funda cova, do que bueiro para a água. Pode entrar uma pessoa sem grande dificuldade. Esta abertura, assim mais praticável, data do tempo da demolição da Natividade; época em que o tal bueiro esteve metido entre as pedras e entulho que na demolição se iam acumulando em redor, enquanto se não alimpou o sítio inteiramente; e então o buraco ficou como estava, e ninguém lhe prestou atenção, porque não houve motivo para isso. Um caso imprevisto veio porém dar celebridade ao bueiro do Rio da Vila no sítio da Natividade!
 
Domingo passado, em uma casa da Praça de D. Pedro, das que têm traseiras para a cerca do extinto Convento dos Lóios, seriam 2 para 3 horas da noite, sentiu-se rumor em uma pequena janela, ou postigo, que ao nível do teto da loja dá luz à parte detrás dela. Aplicou-se atenção; o rumor cessou; e abrindo-se pela manhã a portada que fecha a tal janela, viu-se que a vidraça interior estava fechada com a cravelha costumada, e nenhuma aparência fazia desconfiança.
 
Porém o tal rumor, pelo que agora se descobriu, foi originado por se tirar o betume de um vidro, e tentear-se um buraco que apenas serve para mostrar que é dia, o qual está aberto na porta ao direito do tal vidro que se tirou. Tornaram a por o vidro, com novo betume, depois de verem a grossura da janela para os seus planos, e como os vidros são abetumados pela parte de fora, ninguém tal viu, até ontem, que as circunstâncias fizeram inspecionar a janela.
 
Ontem às 3 horas da noite, tornou-se a sentir o mesmo rumor, no mesmo sítio, e ouviu-se tinir vidro quebrado. Então a gente da casa se levantou e pode conhecer que com um trado se faziam furos na janela.
 
Como a janela é forrada com chapas de ferro de arcos de pipas, deu lugar a operação dos ladrões, a tomarem-se medidas pelo lado da praça, pedindo auxílio à Guarda do Trem dos Congregados, a quem se ministrou um lampeão; (tudo isto da janela, para que não se abrisse a porta da rua ao direito do sítio da operação, e se espantasse a caça) e se lhe ensinou que fosse a escolta pedir entrada ao Quartel dos Lóios, para entrar na cerca, e pilhar os ladrões. Assim se fez. À baioneta calada caiu a escolta com ímpeto sobre o sítio do assalto, aonde estavam 4 homens. Dous deles tiveram a coragem de se lançar abaixo de uma alta parede, e os outros dous que estavam em cima da escada para chegar à janela, foram presos. Perguntados por onde entraram para esta cerca murada de todos os lados, apontaram para um bueiro, que está dentro da mesma, e que serve de escoadouro de águas no seu plano inclinado, tendo entrado eles dous pelo bueiro da Natividade, dizendo que não sabiam por onde tinham entrado os outros dous, os quaes já se achavam no sítio. E parece que talvez eles entrassem por onde saltaram!
 
 

liiber.JPG

i2 Esta imagem mostra-nos o lado da praça da Liberdade no início do século XX onde posteriormente foi erguido o Banco de Portugal. Com o n. 1 assinalo o edifício 'das Cardosas', onde os ladrões seguiram em peregrinação; e com o n.º 2 o casario do lado poente, onde creio que estaria o tal quarto subterrâneo (duas curiosidades já desaparecidas são a viela do Polé, que se vê na imagem e para a direita mas fora do enquadramento encontrava-se o tanque que substituíu a Fonte da Natividade). Notar que o tipo de construção que aqui se vê é típica do século XIX, contudo à data dos acontecimentos narrados - 1836 - provavelmente não teriamos o edificado totalmente com este aspeto(?); ainda assim creio ser a melhor imagem para ajudar a ilustrar esta publicação.

 
 
A escolta deixando seguros os presos teve a coragem de descer pelo bueiro e foi seguindo uma das seis ramificações em que diz que a certa distância se divide o aqueduto, e foi dar com uma casa subterrânea, com porta e fechadura que estava aberta! Dentro desta casa havia uma cama de palha, parecendo à escolta que um vulto fugia para um dos lados. A quentura da palha indicava que pouco antes ali estaria alguém deitado. Nesta casa estavam duas cadeira, alguns pipinhos de vinho, bastantes cebolas, uns paus como tocheiras de por à janela com tocos, em ocasiões de luminárias, e alguns estofos velhos, que dizem parecer ser de igreja... Esta casinhola tem comunicação para a casa de D. António de Amorim na Praça de D. Pedro, por cuja porta da rua veio a sair a escolta.
 
Tal é o facto, segundo por diversas vias nos informamos.
 
No sítio do roubo, existem dous vidros quebrados na vidraça, e três furos na portada, um que varou, e dous que vieram de encontro às chapas dos arcos que a forram.
 
Os presos atravessaram a cidade no meio de imensa multidão, quando foram à presença do Ministro de Polícia Correcional, e depois para a cadeia.
 
Todo o dia, grande ajuntamento concorria a ver o célebre bueiro, e não há mais em que falar nesta cidade.
 
Por esta razão, e para fazer rir os nossos leitores como se estivéssemos a ler a história do Gil Brás de Santilhana, resolvemo-nos a relatar o facto, para ver se alguém cuida em providenciar como convêm a similhante respeito!»
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Artigo extraído d' O Artilheiro de Quinta-feira, 24 de Março de 1836.
 
 
 
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Publicação originalmente colocada no blogspot em 03.09.2016, agora revista.