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Fund. 30 - IX - 2009


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O título desta publicação, que poderia ter o subtítulo um episódio da guerra civil, é um tanto sensacionalista e serve para captar o interesse do leitor para o que se vai ler. E o que se vai ler é desta vez muito curtinho (prometo)! Trata-se de uma notícia que recupero da Crónica Constitucional do Porto de 18 de setembro de 1832, durante a guerra civil dos manos Miguel e Pedro, e que encontrei enquanto arrumava a casa, perdida no meio das minhas notas ainda não tratadas. Ei-la:

 

«Das bombas que os rebeldes lançaram hoje(1) para a cidade, três caíram sucessivamente no convento de S. Bento, onde se acha estabelecido um dos hospitais militares. A primeira arruinou apenas uma parte exterior do edifício; as outras penetraram até o segundo andar, atravessando o telhado e o forro. A última destas bombas caiu na cama de um doente, a quem matou logo, bem como a um soldado que junto a ele estava. Pegou fogo em parte do edifício; porém foi imediatamente extinto pela diligência dos empregados no serviço das bombas e dos facultativos do hospital. S. Exc.ª o Ministro da Guerra(2) fez cessar alguma confusão inseparável de taes acontecimentos, e restabeleceu a ordem imediatamente. Estão dadas as providências necessárias para que os doentes sejam alojados nos lugares que aquele edifício oferece à prova de bomba, e para evitar os maus efeitos da humidade que mais tarde lhes poderia ser nociva.

 

Devemos igualmente anunciar que todas as reservas de pólvora estão convenientemente repartidas por diferentes subterrâneos, o que põe os moradores desta cidade a salvo de qualquer acontecimento desastroso.»

 

sbentaipas.jpg

 

Para ilustrar esta publicação, escolhi uma imagem do Arquivo Municipal do Porto que nos mostra a rua das Taipas e a fachada oeste do mosteiro beneditino. A imagem é obviamente bastante posterior às linhas aqui transcritas, contudo apresenta uma particularidade importante. Reparou o caro leitor no leito da rua? Pois é, parece ser ainda no velhinho macadam. Ainda não haviam chegado à rua das Taipas os paralelipípedos de Canelas no início do século XX? Ou será a imagem da década de 80 ou 90 do século anterior?...

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1 - Isto é, no dia anterior.

2 - Era ele Agostinho José Freire, assassinado em novembro de 1836 durante a Belenzada.

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